Overblog Suivre ce blog
Editer l'article Administration Créer mon blog

COMPLEXO ESCOLAR SIMÃO NIOKA (N.º 8070)

 

SEMINÁRIO DE CAPACITAÇÃO PEDAGÓGICA

28 de Fevereiro 2011

 

Ev. João Mendes Mona Mpanzu

Prof. MONA MPANZU

  -----------------------------------------

 

INTRODUÇÃO

 

No âmbito da capacitação pedagógica dos docentes do PUNIV 8070 / Cacuaco, a necessidade de abordar temas inerentes ao ensino de línguas se fez sentir. Visou-se a profissionalização do corpo docente em geral, e dos docentes de línguas[2] em particular, uma vez que falar uma língua não significa forçosamente ser capaz de ensinar esta língua. As teorias ligadas à didáctica das línguas revelam-se indispensáveis para melhorar a qualidade de ensino e o desenvolvimento técnico-profissional dos docentes. Daí a razão de ser deste tema.   

Neste artigo, apenas tratamos de um (1) saber-fazer (ou mesmo competência linguística) e a devida abordagem didáctica que se adequa para fomentar o processo de aquisição e apropriação de língua. Falaremos então da COMPREENSÃO ESCRITA COMO UM SABER-FAZER LINGUISTICO A ENSINAR.   

 

SABER-FAZER, O QUE É?

 

O saber-fazer é o conhecimento de meios que permitam a realização de uma tarefa. O termo equivalente Inglês know-how é bastante e regularmente utilizado na literatura técnica e na economia.

O saber-fazer é diferente de outros saberes como o conhecimento científico, pois pode ser aplicado directamente numa tarefa. O saber-fazer na solução de um problema é diferente do conhecimento na resolução de problemas. Por exemplo, em alguns sistemas legislativos, o saber-fazer é considerado como propriedade intelectual da empresa, e pode ser transferido quando a empresa é comprada.

Uma das limitações do saber-fazer é a sua dependência a um trabalho, por isso tende ser menos geral do que o conhecimento.

Uma das vantagens do saber-fazer é que pode envolver mais dimensões, tais como a experiência manual, o treinamento na resolução de problemas, a compreensão dos limites de uma solução específica, etc. Assim, o know-how pode frequentemente eclipsar a teoria.

Na área de ensino/aprendizagem de línguas, falaremos de quatro (4) saber-fazer para o aluno: Compreensão Escrita (Ler), Produção escrita (Escrever), Compreensão Oral (Ouvir) e Produção Oral (Falar).



 

 Tabela 1: os quatro saber-fazer em língua

 

 

Notas:



• Não é necessário entender de tudo para entender a mensagem ou saber tudo para se fazer entender.

• As quatro habilidades mencionadas na Tabela 1 usar os poderes de comunicação seja oral ou escrita, na compreensão ou expressão,

• É necessário conhecer as implicações culturais de uma língua para permitir uma comunicação eficaz, mesmo que seja imperfeito (o interesse mensagem e tratamentos diferentes em relação à cultura, os hábitos, a escolha de registo, etc.)

• Na abordagem comunicativa, o sentido, que permite comunicar-se, fazer-se entender é mais importante que a forma.

 

I. COMPREENSÃO ESCRITA 

 

I.1. Definição e objectivos

 

A compreensão de documentos escritos é relacionada à leitura. Se a leitura na língua materna é uma actividade que pode ser feito por prazer ou por um trabalho ligado às técnicas de leitura aprendidas principalmente na escola; em DLE[3], a leitura visa várias competências:

  • uma competência de base que visa perceber a informação explicita no texto  
  • uma competência intermediária, que visa reconstruir a organização explícita do documento
  • uma competência aprofundada que visa descobrir o implícito de um documento escrito.

 

O objectivo da compreensão escrita é de levar o nosso aluno gradualmente em direcção do sentido de um escrito, de entender e de ler diferentes tipos de texto. Não se visa em primeira mão a compreensão imediata do texto, mas a aprendizagem progressiva de estratégias de leitura cujo domínio vai, a longo prazo, fazer com que os nossos alunos tenham gosto pela leitura, folhear um jornal ou um livro em língua estrangeira (francês ou inglês no nosso caso).

As sessões de compreensão escrita ocorrem em forma de actividades que é importante realizar muito regularmente a fim de estimular os nossos alunos para adquirir os reflexos que ajudam na compreensão.


I.2. material escrito para ser usado

  • Suportes que se adequam com o nível de seus alunos
  • Levar em conta as preocupações e interesses dos seus alunos.
  • Os suportes a ser utilizado devem ser muito mais autênticos[4]. Por exemplo:

- postais
- convites
- mensagens
- Telegramas
- anúncios / publicidades
- catálogos

- brochuras
- cartas amigáveis
- cartas formais
- extractos de jornal
- trechos de revistas
- e-mails
- extractos de sites internet
- entrevistas
- extractos de reportagens
- manuais de utilizador
- programas de turismo
- menus
- trechos de histórias ....

Aspectos a considerar ao escolher um suporte escrito

  • Aspecto comunicativo:

                      -            O material escrito deve sempre apresentar um alvo linguístico (objectif langagier) e comunicativo.

                      -            É preciso perguntar-se sobre a função do documento escrito na comunicação em geral, e sobre os elementos essenciais a encaixar para que a leitura atinja mesmo os seus objectivos.

  • Aspecto discursivo:

                      -            Os aspectos discursivos referem-se às características da linguagem em uso. O aluno precisa construir um conhecimento de natureza conceitual: ele precisa compreender não só o que a escrita representa, mas também de que forma ela representa graficamente a linguagem.

 

  • Aspectos pedagógicos:

 

    - É importante que as tarefas de compreensão possam suscitar ao máximo, a participação de cada aluno.

   - A compreensão é muitas vezes praticada de forma que o trabalho dos alunos seja fragmentado: solicitar os alunos, um de cada vez, a responder uma pergunta, muitas vezes reduz os alunos a fazer intervenções pontuais, sobre um elemento do documento, em um determinado momento apenas.

   - Alguns procedimentos permitem, pelo contrário, que os alunos intervenham sobre a totalidade da actividade de compreensão

3. A abordagem didáctica de compreensão escrita em sala de aula

 

A abordagem que vamos usar é a mesma para todos os documentos escritos. Nos colocamos em situação de aulas regulares, usando a competência de compreensão de escrita para fazer adquirir um novo objectivo.

 

Em primeiro lugar (Quadro enunciativo)

 

  • Distribuir o documento escrito aos aprendizes (trabalho em grande grupo).
  • Fazer perguntas sobre as características do tipo de texto antes de lê-lo. Eles vão olhar a redor do texto, o que ajudará, em seguida, a compreensão global (estamos ainda no quadro enunciativo)

O professor usará por exemplos as seguintes perguntas sobre o texto (paratexto):

        -            O que há em torno do texto?

        -            De onde foi extraída esta página? De uma revista, de jornal...

        -            O que há no final do texto?

        -            O que está em cima? Um título, um endereço, etc.

Em segundo lugar (Compreensão global)

 

        ·  Mandar fazer uma leitura silenciosa, indicando o tempo que os alunos têm. O objectivo aqui é explorar o texto, e levar o aluno paulatinamente a aceder ao sentido.

        ·  Pode distribuir-lhes um documento listando uma série de questões ou detalhes a encontrar no texto (ficha do aluno).

       ·  As primeiras perguntas devem sugerir uma compreensão muito mais global do documento escrito.

         ·  Ainda não é hora de entrar em detalhes.

Em seguida (compreensão detalhada)


Fazer perguntas de análise detalhada do texto, de preferência em subgrupos, dependendo da complexidade da actividade.

Os alunos vão emitir hipóteses. O professor incentiva os fazendo verificar cada hipótese por outros alunos

  • Fazer perguntas para melhor verificar a sua compreensão por retornando sempre ao texto, o que equivale a uma leitura orientada do texto.

 

  • É importante que os aprendizes justifiquem sempre cada explicação que dão, para que não respondam de forma aleatória.

 

  • Evitar respostas em coral para permitir o acompanhamento personalizado de cada aluno.

 

Características das perguntas

 

  • Não devem fazer apelo a uma compreensão linear do texto, porque seria demasiado simples.

 

  • Trata-se de fazer perguntas construtivas. Evite perguntas fechadas, em que o aluno deve apenas responder por sim ou não. Em conta partida, se algumas questões são desta natureza, nunca esquece-se de pedir-lhe que façam uma frase completa e que justifiquem com um retorno ao texto.

 

  • Por outra, não formular perguntas que sugerem explicitamente a resposta.

 

  • O professor deve ser também capaz de reformular as suas perguntas para simplificar e relançar depois. O que vos parece ser óbvio não o é necessariamente para um estudante de línguas estrangeiras.

 

  •  Adaptar as perguntas ao nível de seus alunos.

 

E finalmente... (Conceptualização)

 

        ·            Chamar a atenção do aluno sobre a organização do texto em língua-alvo, sabendo que em português, não é o mesmo código.

        ·            Ajudar os alunos (especialmente os principiantes e elementares) para identificar e analisar os diferentes elementos de texto (articuladores, marcadores, pontuação...)

        ·            Fazer perguntas sobre estes marcadores porque constroem o significado do texto (ver unidade de coerência textual)

        ·            Destacar as estruturas linguísticas relacionadas com os objectivos funcionais da aula (por exemplo, para relatar um acontecimento passado, resultará no uso de tempos do passados/pretéritos, para fazer um pedido com boas maneiras, teremos estruturas como "gostaria, queria..."

        ·            Lembre-se que não se cobra ao aprendiz a compreensão cabal do texto, nem pedir o significado de todas palavras. Esta abordagem tem como objectivo desenvolver a leitura crítica e metódica.

 

 

BIBLIOGRAFIA

 

BERARD, E. (1991): L'approche communicative. Théorie et pratiques, CLE international, coll. DLE, Paris

CONSEIL DE L'EUROPE (2000): Un cadre européen commun de référence pour les langues : Apprendre, Enseigner, Évaluer; Didier, Strasbourg

COURTILLON, J. (2003): Élaborer un  cours de FLE, Hachette, Paris

CUQ, Jean-Pierre (2003) : le dictionnaire de didactique du français langue étrangère et seconde, CLE International, Paris

GERMAIN, C. (1993): Evolution de l’enseignement des langues: 5000 ans d’histoire, Paris, Clé International, col. DLE, 

MPANZU, Mona (2008): L'enseignement de la grammaire en Approche Communicative (mémoire de licenciatura en Didactique de français langue étrangère), ISCED, Luanda

MPANZU, Mona (2010): l'Approche grammaticale et Internet dans le FLE (mémoire de Master 2 en Didactique des langues et Ingénierie de Formation), Univ. Franche-Comté, Bensaçon (France)

TAGLIANTE, C., (1999) : La classe de langue, CLE International, Paris

 

 

  

Por

MONA MPANZU


[1] Línguas Estrangeiras

[2] Professores de língua portuguesa e das línguas estrangeiras, francês e inglês.

[3] Didáctica das línguas estrangeiras

[4] Em didáctica de línguas, o documento autêntico é qualquer documento (escrito, sonoro, imagem…) que não foi concebido para fins pedagógicos mas que, através do processo de "didactização", passa a ser usado na aula. Opõe-se ao documento fabricado que é já concebido para fins pedagógicos (ex: manuais de línguas).   

Compreensão Escrita

Perceber o sentido literal, a mensagem
"Perceber o tom, o ponto de vista, as intenções do autor " etc. Não é necessário entender todas as palavras do texto. Usar o paratexto, induzir os significados das palavras dentro do contexto, etc.

Produção escrita

Produção pessoal e autónoma de uma mensagem escrita. Definir a quem se escreve, para que se escreve e o que se escreve

 

Compreensão Oral

Distinção de sons, acentuação, etc.
Compreensão e tomada de notas.
Não é preciso entender tudo para entender o conteúdo da mensagem.

 

Produção Oral

Fazer uso da palavra, a emissão de mensagem numa situação de diálogo directo. Não é necessário fazer frases completas na medida em que a língua falada é composta de palavras isoladas e abreviaturas.

Tag(s) : #DIDACTIQUE DES LANGUES

Partager cet article

Repost 0
Pour être informé des derniers articles, inscrivez vous :