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CORRUPÇÃO NAS UNIVERSIDADES

MONA MPANZU

ISCED - UIGE 

Departamento de letras modernas

 

Na sociedade de hoje que se pretende ser mais moderna, a competição por recursos e fama coloca uma pressão sem precedente sobre as instituições do ensino geral e ensino superior. Instituições mais fracas são mais propensas à corrupção e mais sofredoras de consequências nefastas que decorrem desta pratica. Importa realçar que a corrupção é um meio ilegal de se conseguir algo, sendo considerada grave crime em Angola e alguns países. Normalmente, esta pratica da corrupção que em Angola, está a tornar omnipresente em todas as institui está relacionada com a baixa instrução política da sociedade, que muitas vezes compactua com os sistemas corruptos. 

O mais dramático é que em muitos casos em que a corrupção ganhou corpo, sistemas universitários foram invadidos e a reputação e o bom nome pelos resultados de pesquisa e diplomas encontram-se totalmente ameaçados. Diplomas universitários e o pessoal formado suscitam grandes dúvidas e desconfianças diante das entidades empregadoras que primam pela qualidade de serviços por elas prestados. Quando isto acontece, a corrupção reduz sobremaneira a taxa de retorno económico individual e social sobre os investimentos em ensino superior. Alguns países têm amealhado a marca da desonestidade acadêmica, levantando questionamento sobre todos os seus formandos e todas as suas instituições. No mínimo, dois atores principais labutam para configuração da corrupção: o corruptor  (o sujeito que propõe uma ação ilegal ) e o corrupto – corrompido - (o sujeito que aceita a execução da ação ilegal em troca de dinheiro ou um bem material ou ainda prá​ticas sexuais), além do sujeito conivente (o sujeito que sabe do ato de corrupção, mas não faz nada para evitá-lo ) e o sujeito irresponsável (alguém que normalmente está subordinado ao corrompido ou corruptor e executa ações ilegais por ordens de seus superiores), em alguns casos.

Dito isto, entenda-se a corrupção como verdadeiro ato de desvirtuamento e devassidão de hábitos e costumes, tornando-os imorais ou anti-éticos, por exemplo.

Nas universidades como se verifica hoje, a corrupção pode surgir na fase inicial de concursos públicos, recrutamento e admissão. Muitas das vezes os candidatos a testes ou recrutamentos sentem-se obrigados a pagar um "preço oculto, uma gasosa, uma fezada" para ser admitidos a um curso de universidade pÚblica ou mesmo privada. Alguns pagam subornos como uma apólice de seguro, porque não querem ficar para trás por não pagá-lo.

Estas práticas fraudulentas que abragem finanças, bens materias, sexo e tantas outras manifestaçoes continuam a ser um desafio gigante na sociedade angolana. As reduções no financiamento público têm afetado sistemas de controle interno para evitar fraudes. Como cada faculdade pode ter centros de custos separados, o acompanhamento financeiro pode ser difícil. O desafio parece ser ainda maior na medida em que não é fácil monitorar as associações discentes que lidam com dinheiro separadamente da administração da universidade.

 

Mas como resolver este problema?

 

Não parece ser là tão facil acabar com a este virus da corrupção. Alías, em um concurso público para professor universitário as discussões são de um nível tão alto e abstrato que, muitas vezes, fica complicado para pessoas de fora da área compreender quem, por exemplo, fez uma “boa” ou “má” prova. Além disso, em vários países o problema se apresenta de outras formas.

Encarar a solução como algo que venha como reação nítidamente endógena, espontaneamente emanada dos próprios professores já estabelecidos, parece ser mesmo irrealista e utópico. Isto porque na sua maioria, os professores têm medo de mexer em um “vespeiro” desses que envolve tantos interesses e estruturas de poder acadêmico que podem deixar marcados qualquer eventual criador de problemas.

A meu nível,  acho certo partirmos de um caminho diferente. Aproveitando até o atual clima de insatisfação com todo tipo de corrupção no país, eu proporia a criação de um Movimento para Prevenção de Irregularidades em Concursos Públicos Acadêmicos e provas universitárias reunindo todas aquelas pessoas da área acadêmica e da sociedade civil que considerem ser este problema sério a ponto de merecer um tratamento em separado. Este grupo poderia estudar diferentes experiências mundiais no campo e propor medidas para tornar os concursos mais impessoais, impedindo “compadrios” e velar pelas avaliações nas universidades e atribuições de notas que so visam enfeitar as pautas sem grande ligação com o mérito próprio do avaliado.  

A partir daí este movimento deveria conclamar o Ministério do Ensino Superior a se juntar a esta batalha. Como é delicado para o ministério, formado por professores universitários, “investigar” a própria classe, o ministro da pasta poderia propor a criação de uma Comissão Independente para Propostas de Medidas para Prevenção de Irregularidades em Concursos Públicos Acadêmicos e Avaliações dos estudantes já matriculados. Esta Comissão, a partir dos subsídios do movimento anterior, e ouvindo setores da sociedade civil e acadêmica, sugeriria uma série de medidas para melhoria nos concursos. E o Ministério do Ensino Superior poderia usar o estímulo de financiamentos  extras para as universidades que adotarem os padrões mais seguros de avaliações com as novas medidas propostas.

Ministério do Ensino Superior deverá usar os incentivos que possui centralmente para estimular as universidades de Angola a aderirem a este sistema mais seguro. Sem este estímulo mais centralizado de cima será difícil obter uma melhoria na situação de centenas de concursos fragmentados em estruturas locais de poder acadêmico, dispersas e independentes umas das outras. Uma das medidas que podem ser tentadas é criar a figura do “inspetor” nas bancas de concursos e do DAAC (direção de assuntos académicos): um membro da banca (preferencialmente de fora da área do concurso, para evitar pressões) cujo principal papel seria de verificar que o processo está ocorrendo de acordo com os padrões de impessoalidade e sem favoritismos.

 

Referências eléctronicas:

 

http://oglobo.globo.com/blogs/prosa/posts/2013/07/27/a-corrupcao-nos-concursos-publicos-academicos-504814.asp

http://www.revistaensinosuperior.gr.unicamp.br/international-higher-education/corrupcao-academica-coloca-ensino-superior-em-risco

 

 

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CORRUPÇÃO NAS UNIVERSIDADES
Tag(s) : #LANGUES ET CULTURES

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