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MONA MPANZU

Instituto Superior de Ciências da Educação

ISCED - UÍGE

22.02.2013

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Este artigo surge da problemática vivida entre os professores de línguas estrangeiras (francês e inglês) nas escolas de Angola. Até hoje, a maior parte dos professores de línguas estrangeiras em Angola não têm formações pedagógicas sancionadas pelos diplomas universitários. Muito deles defendem que a profissão professoral exige apenas um dom natural que dispensa sobremaneira qualquer currículo universitário inerente ao ensino de línguas. Este problema muitas vezes cria debates entre professores formados em pedagogia e professores não pedagogos. Muitas perguntas são feitas nestas discussões, uma delas pode ser: "será que o mestrado em ensino de francês língua estrangeira é necessário para ser um professor de francês?". Esta é uma questão muito delicada que requer reflexões urgentes. Se a pergunta for bem entendida, ela procura saber se ensinar é uma arte ou uma técnica. Percebe-se a importância da resposta a esta questão no que toca à formação em DFLE (Didática de francês língua estrangeira). Porque, se ensinar é uma arte, isto é, se ele requer um dom inato, então o Mestrado em didática de FLE é inútil uma vez que o professor sempre e já sabe ensinar. Uma pessoa que não possua uma licenciatura ou um mestrado pode muito bem ensinar desde ele tenha esse dom. Mas se a pedagogia não é um dom, então é obviamente necessário ter uma formação técnica para ensinar.


É bem patente que a maioria dos professores não titulares de diplomas de FLE (Francês Língua Estrangeira) pensa espontaneamente em pedagogia como um dom que não pode ser aprendido, o que implica que apenas algumas pessoas podem ensinar. E são os pedagogos que consideram o ensino como uma técnica, isto é, "um conhecimento que pode ser adquirido através do trabalho", o que significa que qualquer um pode ensinar. Neste negócio, todos estão errados e todos estão certos.


O erro da visão tecnicista dos didatas consiste em não levar a arte a sério. Às vezes ouvimos os "engenheiros" de educação desacreditar a concepção de ensino como uma arte com um tom de desprezo em sua voz. Eles parecem pensar que os artistas são uns loucos brincando nus na natureza sob a influência de uma substância proibida.


Mas os artistas não têm nada a ver com esta caricatura. Embora deva ser desenvolvida uma sensibilidade literária muito grande, uma pequena citação pode ser suficiente para identificar um romancista particular. E isso funciona para todas as outras artes: teatro, música, quadrinhos, etc. Isso demonstra que o artista não constrói suas obras de forma aleatória, mas com regras muito específicas, isto é, com uma técnica!


Além disso, os defensores do ensino como arte cometem o erro oposto. Eles enfatizam muito mais o dom, o que é uma maneira de não levar a sério a técnica. Eles acham que o talento cai, tudo assado na boca, sem qualquer trabalho. O que é completamente falso porque há inevitavelmente a necessidade de adquirir conhecimento técnico e trabalho duro para ser um bom artista.


Uma vez levados a sério a arte e a técnica, podemos estabelecer um paralelismo entre a arte e a pedagogia. Assim, a primeira qualidade exigida para ser um professor, tal como para ser um artista, é obviamente a CRIATIVIDADE. Criatividade manifestada por uma sensibilidade de sentir as necessidades e expectativas dos alunos, uma grande imaginação para modelar na sua cabeça as próximas sessões a fim de determinar o que vai se passar bem ou mal e dar a melhor aula possível, um talento para a trazer a originalidade na turma e não aborrecer os alunos com as rotinas, etc.


Urge evidenciar que SER CRIATIVO só é possível quando o cérebro detém uma grandiosa e alargada variedade de conhecimentos e informações, fazendo com que as associações de ideias, ocorram de uma forma mais fluida e direcionada. Essas associações permitirão alcançar as ideias e conceitos novos, de uma forma única e original. Porém, para que o processo criativo nas práticas pedagógicas, seja eficaz e eficiente, torna-se necessário e decisivo a aceitação por parte de todos agentes da educação, das suas ideias e da liberdade de expressão no meio em que se executam.


Até aqui, entendemos o que realmente liga o artista com o professor, a saber, um dom dado pela natureza, mas que deve ser formado por uma técnica para alcançar seu pleno potencial. Mas também temos de entender as suas diferenças, a fim de compreender o que é ensinar. Até porque não se pode continuar a fazer a comparação até dizer se o professor faz a arte no sentido de que o artista faz. A nosso ver, podemos e devemos entender a classe como uma obra artística. Mas temos de concordar com o que é chamado de "obra artística".


Hoje, o termo tem significado apenas estético, esquece-se, no entanto, o significado da palavra "arte", que é a habilidade do artesão. Saber-fazer (Ingl.:Know-how, Frc.: Savoir-faire) que só pode produzir um objeto de cada vez e deve, portanto, ser distinto da técnica que pode produzir um número infinito de objetos idênticos.


Segundo a enciclopédia Wikipedia (online): «Arte  (do latim ars, significando técnica e/ou habilidade) geralmente é entendida como a atividade humana ligada a manifestações de ordem estética ou comunicativa, realizada a partir da perceção, das emoções e das ideias, com o objetivo de estimular essas instâncias da consciência e dando um significado único e diferente para cada obra.»[1]


A arte deve ser encarrada como uma forma através da qual o ser humano consegue expressar suas emoções, sua história e sua cultura mediante alguns valores estéticos, como beleza, harmonia, equilíbrio. A arte pode ser representada através de várias formas, em especial na música, na escultura, na pintura, no cinema, na dança, entre outras.


No quadro do nosso estudo sobre a problemática da pedagogia enquanto arte ou técnica, tomemos o exemplo de um oleiro a quem se encomendou mil vasos idênticos. Os vasos terão certamente a mesma forma e serão muito parecidos, mas todos eles são diferentes pelo simples fato de que foram concebidos um por um. Mas se encomendarmos mil vasos numa fábrica, todos eles serão perfeitamente idênticos pois, sairão todos do mesmo molde.


Quando aplicado à educação, o exemplo do oleiro nos coloca diante de duas perspectivas. Uma perspectiva artesanal onde cada aula é única e uma perspectiva técnica onde as aulas são padronizadas e podem ser reproduzidas de forma infinita. Mas todos sabem que a primeira óptica é a única que resiste à prova de factos. Mesmo com o mesmo professor, os mesmos alunos, a mesmo aula, a mesma turma, nunca temos duas sessões idênticas.


A razão mais viva deste fenómeno está no facto de que os professores trabalham com os seres vivos: os alunos! E estes últimos, por serem seres vivos, e não robôs, não se comportam exatamente da mesma maneira assim como o professor também. Daí o eterno conselho dado aos didatas de ser "muito abstrata." Na verdade, não tendo suficientemente em conta o carácter vivo do objeto de estudo, que galvaniza uma realidade singular de termos técnicos abstratos, o que produz um abismo intransponível entre seus discursos e nossa realidade.


Em função do acima exposto, resumimos que é preciso desencadear uma expressão pessoal. Uma aula deve refletir a imagem de seu gerador, o que implica para o professor, uma independência de espírito radical em relação a qualquer autoridade. De facto, esperamos que haja autonomia intelectual por parte do professor para decidir o que é bom fazer em sua aula. Portanto, é perfeitamente possível ser um professor sem ter recebido qualquer treinamento. Mas, neste caso, é preciso ter realmente o instinto de pedagogia anexado ao corpo. Mas, ainda assim, o professor não deve negligenciar o discurso técnico de pedagogia, pois permite-lhe nomear certos fenômenos da sua prática, conhecê-los e domina-los.  

 

 

 

BIBLIOGRAFIA


PILETTI, Claudino (1997): Didática Geral, Ática, São Paulo

PILETTI, Nelson (1991): História da Educação, Ática, São Paulo

TAGLIANTE, Christine (1999) : La classe de langue, CLE International, Paris

ROBER, Jean-Pierre (2011): Faire classe en FLE / une approche actionnelle et pragmatique, Hachette, Paris




[1] http://pt.wikipedia.org/wiki/Arte (consultado no dia 22.02.2013)

 

Tag(s) : #PEDAGOGIA-DIDÁCTICA

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