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                                                           MONA MPANZU

 

Este artigo faz parte das minhas aulas de Psicolinguística ministradas na Escola Superior Pedagógica do Bengo em colaboração com o Dr. Clemêncio KETA no ano académico 2010.

 

A aquisição da linguagem é a ocorrência mais considerável na vida de uma criança. Ligada ao domínio da função simbólica, a aquisição da linguagem decorre geralmente entre um (1) e três (3) anos e é correlativa ao desenvolvimento da inteligência.

A) ETAPAS DA AQUISIÇÃO DA LINGUAGEM

Ao longo do desenvolvimento humano, a linguagem é antecedida pelos modos de comunicação não-verbais (jogos de imitação recíprocos entre a mãe e o bebé por exemplo). Logo após o parto (isto é, a partir de alguns minutos após o nascimento) o bebé detecta se as pessoas que o rodeiam estão a interagir com ele ou não. Caso exista esta interacção o bebé fica estimulado e responde: trata-se já da comunicação pré-verbal. Em seguida, esta comunicação não-verbal fica presente durante a comunicação verbal: por exemplo, ao discutir, as pessoas entendem-se melhor enquanto se olharem um e outro.

A possibilidade de manipular os sinais linguísticos não surge subitamente mas, é preparada por um trabalho que começa muito cedo. É assim que o sotaque da língua materna se faz entender desde os primeiros BALBUCIOS (em francês: Babillages) da criança antes que saiba falar devidamente nem mesmo pronunciar um som com algum conteúdo semântico.

A aquisição da linguagem faz-se mediante cinco sentidos: a audição, a visão, o tacto, o olfacto e o paladar que ajudam a estruturação do cérebro a fim de reconhecer os estímulos exteriores.

B) OS GRITOS DA CRIANÇA

Numa primeira instância, os gritos do recém-nascido ainda não constituem uma linguagem, trata-se apenas de expressões de incómodos ou de dores sem qualquer intenção de significado ou de comunicação. Mas, se estes gritos não têm sentido para o bebé, os adultos a sua volta vão dando sentido a estes gritos. Assim, o bebé vai então estabelecer uma ligação no seu cérebro entre seus gritos e a visão dos adultos; ele vai por conseguinte usá-los como sinais dirigidos aos seus semelhantes (homens) para que possam agir sobre ele.

C) O BALBUCIO

Paulatinamente, a criança vai reconhecer as pessoas e estabelecer um laço entre as palavras que pronuncia e certos objectos designados por estas palavras. A interacção entre a criança e estes objectos servirá cada vez mais de indícios bem definidos.

Por volta dos três (3) meses, a criança entende as palavras simples como papa. Importa assinalar que um dos factores fundamentais permitindo o desenvolvimento da comunicação linguística é a comunicação não-verbal (imitação, comunicação afectiva). Para a criança falar, é preciso que ele próprio o possa desejar e que haja também estímulos.

Por volta do quarto (4º) mês já se pode ouvir as primeiras PALRICES (Frc.: Gazouillement), o que corresponde a um BALBUCIO mais complexo. O bebé produz primeiramente os sons de forma acidental, geralmente isto tem sido um forte estímulos para os adultos que estejam a interagir com o bebé. Os adultos comentam estes sons, repetem-nos e reagem. É, pois, a própria interacção adulto-bebé que fica estimulada e o bebé é fortemente incitado a perseverar. O bebé vai então reproduzindo certos sons de forma constante e repetida.

Já no final do primeiro ano (aproximadamente), o BALBUCIO fica mais claro e já se pode constatar a repetição intencional de certas sonoridades, a criança já tem a possibilidade de pronunciar as primeiras palavras.

 

D) A PRIMEIRA PALAVRA

A primeira palavra manifesta uma intenção de significado conciso e corresponde verdadeiramente ao acesso à linguagem. Não existe palavras privilegiadas que apareçam mais sistematicamente que outras (embora papa e mamã sejam as palavras mais frequentes) e a idade de aparição situa-se entre nove (9) e doze (12).

Esta primeira palavra tem mais sentido para a criança do que para o adulto, por isso é que se qualifica PALAVRA-FRASE (Holofrase), pois, não se refere apenas a um objecto mas a uma acção ou uma situação

Exemplo:

«Mamã» pode significar «ela está a vir», «este objecto lhe pertence» ou «estou a ouvir a voz dela».

De facto, a criança quer falar mais do que pode, a intenção de significado ultrapassa a capacidade de expressão. Uma só palavra acaba por ter uma pluralidade de significados que o ambiente humano a volta da criança consegue descodificar em função das circunstâncias.

Pode se considerar então dois (2) momentos principais na aquisição da linguagem:

O primeiro momento é inerente à capacidade de articular certos fonemas independentemente do seu significado, o segundo momento refere-se à capacidade de atribuir às palavras um sentido relativamente à língua falada a sua volta.

Os sentidos usados para significar a palavra tem muita importância: quanto mais haver implicados, maior será a capacidade de defini-las.

Exemplo: ver uma mulher pode significar «mamã» em quanto que ver e ouvir uma mulher pode significar «mamã» por uma pessoa em particular.

Mesmo assim, importa lembrar que a articulação da linguagem falada implica a intervenção de  um complexo aparelho anatômico-fisiológico (aparelho fonador), por meio do qual os sons são produzidos: pulmões, laringe, cavidade bucal, lábios, palato e cavidade nasal. A linguagem depende, ainda, do ponto de vista fisiológico, da articulação de áreas cerebrais progressivas pela comunicação simbólica verbal. Isto, entretanto, não é tudo, quando se quer explicar a linguagem em termos do que ela favorece ao desenvolvimento cognitivo humano.

No decorrer do processo de socialização, a criança vai ampliando o seu vocabulário, não só quanto ao número de palavras, mas também quanto à complexidade dos conceitos utilizados. E o que é mais importante nesse processo é que a linguagem, uma vez apropriada, se transforma não só em instrumento do pensamento como, também, em instrumento de regulação do próprio comportamento.

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BIBLIOGRAFIA


 

- CAPLAN, D. (1992): Language: Structure, Processing and Disorders; Cambridge, MA, MIT Press.

- CLOSTERMANS, Jean (1980): Psychologie du langage, Ed. Pierre Mardaga, Bruxelles, rééd.1995 (ISBN 2-87009-125-7)

 - PIAGET, Jean (1993): A Linguagem e o Pensamento da Criança, 6 ed., São Paulo: Martins Fontes

 - VYGOTSKY, L.S. (1993): Pensamento e Linguagem, São Paulo: Martins Fontes

 


 

 

 

 

 

 

Tag(s) : #LINGUISTIQUE

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